Representatividade LGBT+ em World of Warcraft – Legion

Um dos textos que escrevi que fez muito sucesso foi referente a preconceitos e representatividade LGBT+.

Era no período que escrevia para o Herói Stunado, o titulo era “Quando Termina a Brincadeira e Começa a Homofobia”.

Na época eu havia comentado que a Blizzard ficava em cima do muro sobre essa questão.

Ao contrário de casais héteros que são bem explorados.

Como a Jaina e o Kalec, Go’el e a Aggra, Tyrande e Malfurion….

Não havia nada concreto referente a casais LGBT+

A Blizzard só incluía algumas coisas que deixava subentendido ou sátiras.

Seja com personagens caricatos ou com os Romances Apimentados.

Cheguei a citar um memorial ingame no WoW de um jogador gay que faleceu como uma referencia séria.

Mas nada que faça menção a sua sexualidade.

O que eu achei certo, pois em nenhum memorial ingame que eu tenha conhecimento tem algum romance ingame.

Enfim, até então não havia lore no jogo com um personagem assumidamente LGBT+.

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Foto/Reprodução: Instagram

Representatividade LGBT+: Overwatch Abrindo Caminho.

Eis que aproximadamente um ano depois do meu post a Blizzard sambou na minha cara com a Tracer em Overwatch ♥

A história que mostra a orientação sexual da Tracer foi contada em uma HQ que gerou muita polêmica.

A ponto da HQ ser censurada na Rússia.

Até pensei que a Blizz deixaria só a Tracer e depois do que houve na Rússia demoraria para inserir outro personagem.

Mas a Blizzard simplesmente informou que a Tracer não é/será a unica personagem LGBT+ em Overwatch.

Ainda não informou quem também é, ou se vão inserir um personagem novo LGBT+.

Mas e quanto a outras franquias?

Não posso dizer nada ao certo sobre Starcraft ou Diablo.

Mas posso sobre World of Warcraft e juro que fiquei impressionada.

Representatividade LGBT+: Casal Rhonda e Heather (Érica)

Em Legion não tem personagens que são subentendidos LGBT+.

Há personagens que SÃO LGBT!

Começarei pelo casal Rhonda e Heather que fica no Salão de Classe dos Monges.

A personagem Rhonda na verdade é uma homenagem ingame à uma funcionária da Blizzard.

Vejam bem, homenagem, não memorial, a Rhonda está vivinha e muito bem.

A namorada de Rhonda,  Heather Syracuse (em pt ficou como Érica) também foi homenageada.

Representatividade LGBT+: Missão de Encantamento .

Não apenas homenagens ingames, mas NPCs com lore inclusiva também foi colocado em Legion

A missão que mostra essa história é voltada para quem possui Encantamento como profissão.

Caso você não queira spoiler, listarei a sequencia de missões que aborda essa história.

As missões que estiverem em negrito é a que contam a história:

Representatividade LGBT+: A Sacerdotisa Ausente (Spoilers)

Para quem não tem como profissão encantamento, vou descrever aqui as missões.

Ao falar com a Encantadora Ilanya, ela dará a missão “Encontro na Encruzilhada”:

Encontro na Encruzilhada

Uma antiga aprendiz minha foi embora durante a guerra,

pouco antes de nós todos sermos amaldiçoados.

Eu ouvi recentemente que ela foi vista perto da Passagem Brasavil.

Eu adoraria falar com ela mais uma vez.

Vá procurá-la. Leve o diário dela e diga-lhe que eu não a culpo pelo que ela fez.

E se ela estiver disposta, por favor, traga-a de volta para mim.

Até aqui não há nada de diferente da maioria das missões.

Ao chegar na encruzilhada, aparece um sátiro com o nome de “Sacerdotisa Caída”.

Juro que na hora eu pensei que era algum erro de tradução, pois o sátiro era macho.

Ao falar com o Sátiro, ele passa a missão “Reviravolta e Traição”:

Reviravolta e Traição

A Encantadora Ilanya se lembra de mim?

<O sátiro para e enxuga uma lágrima do rosto.>

Eu fiz uma péssima escolha dez milênios atrás.

Eu descobri sobre a aliança entre a rainha e a Legião e traí o meu coração para me juntar a ela.

Eu me transformei em uma monstruosidade,

só para acabar morto lutando contra os mortais.

Agora a Legião ressurgiu,

mas eu continuo sendo um espírito impotente.

Seja o meu veículo e mate os demônios à nossa frente.

Recolha as runas demoníacas deles e reduza-as a pó

Após matar uns demônios e desencantar as tais runas demoníacas vemos a sequencia da missão.

O sátiro passa a missão “Lavado”:

Lavado

Aqui fica claro que o sátiro e a Ilianya são um casal:

Por mais poderosa que a Legião seja,

não é a eles que pertence o maior poder de Azeroth.

Existe um lugar onde a Encantadora Ilanya e eu passávamos horas de felicidade juntos.

O amor que permeia um lugar assim é mais forte que magia vil, 

Vá até a Nascente de Nor’Danil.

Suas águas podem purificar o pó vil que você recolheu… e,

talvez, me purificar também.

Ao realizar a missão o sátiro se converte em uma Elfa Noturna chamada Driana.

Eis que agora a tia Verd aqui não sabe o porque um sátiro macho virou fêmea

e se isso ocorreu por não ter um modelo de sátiro feminino.

Ou se todo sátiro se converte em macho por algum motivo estranho.

Mas eu não creio que ela tenha se convertido em um sátiro macho pela sua orientação sexual.

Até porque nunca vi um sátiro fêmea dentro do WoW.

Entretanto, há uma arte oficial do Hearthstone que retrata uma Satiro fêmea.

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Enfim, prosseguindo para as próximas missões “A Sacerdotisa Caída” e “Encantamentos Élficos”:

A Sacerdotisa Ausente e Encantamentos Elficos

Após retornar a sua forma original vem a missão A Sacerdotisa Ausente:

Depois da minha traição,

eu nunca imaginei que suportaria olhar para o meu amor novamente.

Mas graças a você, eu finalmente posso voltar.

Vá falar com a Encantadora Ilanya.

Vou dizer a ela que você é digno(a) da minha marca.

Então ao retornar para o local onde a Encantadora Ilianya está e vemos a Sacerdotisa Driana no local já.

Ilianya passa a missão Encantamentos Élficos que arremata a história do casal:

Você obteve as marcas dos meus companheiros mais confiáveis.

Além disso, você me devolveu meu amor.

Que sorte a minha ter encontrado você.

Agora, retorne ao seu mestre e diga-lhe o que aprendeu.

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Representatividade LGBT+: Considerações Finais.

Particularmente falando eu realmente fiquei surpresa com a inclusão desse casal.

Achei a história muito fofa e adorável.

Mas eu acredito que há um tremendo furo de roteiro.

Se um sátiro é um demônios ele não deveria morrer.

Deveria ter retornado a Espiral Etérea.

Pois um demônio só morre em definitivo na Espiral Etérea ou em locais que estejam permeados de energia vil.

A não ser que Driana não tenha se convertido totalmente em demônio,

E ter herdado a maldição que a corte de Farondir herdou.

Não faz sentido algum ela ser um espírito.

Enfim, esse não seria o primeiro furo de roteiro do WoW e nem será o ultimo.

Mas fiquei feliz pelo fato da Blizzard finalmente ter inserido personagens LGBT+.

Não insinuações ou entrelinhas, mas uma história.

Esse tipo de aceitação e inclusão é muito boa.

Por mais que possa ser por marketing ou para gerar alguma polêmica.