Crítica do Livro Crimes de Guerra – O Julgamento de Garrosh

Antes de começar a Crítica do Livro Crimes de Guerra tenha atenção há:

Críticas literárias devem ser levada mais como um parâmetro para expectativas e não como critério de seleção.

Não se esqueça, o livro que foi mediano para uns pode ser fantástico para outros e vice-versa.

Não se baseie na experiencia de ninguém para tirar um livro de sua lista de leitura.

Crimes de Guerra foi escrito pela Christie Golden, escritora do aclamado Arthas: Rise of the Lich King,  lançado no dia 17 de outubro 2014.

Como a lore deste livro é de fácil acesso e, para os que se interessam pela lore, provavelmente vão querer ter um exemplar em mãos ao invés de um resumo, então darei o mínimo de spoilers nessa crítica do livro Crimes de Guerra.

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Crítica do Livro Crimes de Guerra: Pontos Positivos

O livro tem uma narrativa bem fluída e agradável, além de explorar bastante o clima de tensão de um julgamento que beira um show gratuito de sadismo, prendendo bem a atenção do começo ao fim.

O lado pessoal de alguns personagens também foi bem explorado e arrematou algumas pontas abertas.

Esse livro é agradável para ambas as facções, pois aborda tanto a Horda quanto a Aliança e temos como protagonistas: Baine, Anduin, Jaina, Sylvannas e Vereesa, com grande participação de Kalecgos,Varian e Goel, que finalmente deixou a alcunha de Thrall.

Baine

Ele sem sombras de dúvida, foi o personagem melhor trabalhado no livro, mostrando o quão justo e leal é o tauren diante da difícil e quase ultrajante tarefa de defender Garrosh.

Sylvana

Ela deixa transbordar seus sentimentos.

Vemos um pouco de sua visão de mundo e qual sua opinião sobre alguns personagens importantes da Horda (apesar de que, particularmente não gostei muito da personalidade dela, ficou bem diferente do que eu esperava, mas isso é algo mais pessoal meu).

Vereesa

Como a líder do Pacto de Prata e grande responsável pelas epifanias de Sylvana.

Também teve uma gama de sentimentos explorados, mostrando quão devastadora era a dor que estava sentindo pela perda do marido.

Anduin

O jovem príncipe Anduin com 15 anos demonstra uma personalidade forte.

O menino demonstra muita coragem e controle ao dominar suas emoções e sempre tenta estar ao lado da justiça, mostrando-se bem maduro e perspicaz para um garoto de 15 anos, além de portar-se como um bom sacerdote.

Ainda sobre o Anduin, muitos o comparam com a Jaina, mas tanto neste livro quanto no Ruptura, ao meu ver, demonstra que ele é muito parecido com o Baine.

No livro também mostra como está a relação de Anduin com seu pai e quanto o garoto conseguiu influenciar o Rei Varian, sendo bem clara esta mudança para os que leram A Ruptura.

Jaina

Já a Grã Senhora Proudmore se encontra em uma luta interior com as sombras que permeiam seu coração após a queda de Theramore e a traição dos Fendessois, com Kalecgos a ajudando, ou pelo menos tentando, a se recuperar desses grandes traumas.

Jaina está sendo forçada a encarar seu eu doce e antigo e seu eu furioso e vingativo.

Outro ponto fortíssimo deste livro são as testemunhas que foram chamadas, tanto pela defesa quanto pela acusação.

Os testemunhos de Velen, Voljin e Goel foram bem tensos, prendendo bem a atenção.

Alguns personagens chamados para testemunhar foram extremamente inusitados e foi, ao menos para mim, uma boa surpresa.

Crítica do Livro Crimes de Guerra: Pontos Negativos

O livro é bom?

Na minha opinião é sim, pode até mesmo entra no top 10 de muitos leitores.

Muitas páginas?

São 334, para mim é um bom número.

É maravilhoso, fantástico, a obra-prima literária do WoW??

Definitivamente não.

Ok, mas porque?

No começo do livro, deixa bem claro que TODOS os principais representantes da Horda e da Aliança estão presentes no julgamento de Garrosh.

Isso instiga muito o jogador (pelo menos eu xD) a saber qual vai ser a postura do líder da sua raça se não tiver grande participação, expressar ao menos o que pensa em algum momento que lhe for de interesse, ou esperar por um curto testemunho.

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Outros Líderes

Mas alguns líderes mal foram citados, como Genn Greymane e Gelbin Mekkatorque.

O líder dos gnomos pode até não ter muitas pendengas com Garrosh, mas garanto que Greymane tem e não mostrar comentários contra o Garrosh, ou ameaças e impropérios contra a Sylvannas, me decepcionou um pouco.

Moira Thaurissan apareceu, mas foi apenas em uma visão do passado que aconteceu no livro A Ruptura e, mesmo com a Moira estando no julgamento, o foco foi apenas para os sentimentos de Varian e de seu filho.

Ao menos todos os líderes da Horda falaram uma ou duas frases, mas tanto o príncipe mercante Jastor Gallywix quanto o Lorde Regente Lorthemar Theron foram literalmente deixados de lado ainda no começo.

Tyrande Murmuréolo foi uma personagem fundamental para a história como a contraparte da Aliança no julgamento e TERIA que ser imparcial e justa, mas não foi bem isso que ocorreu.

Tyrande não apenas atacou Garrosh, como também a própria Horda de tabela, chegando a passar por cima até mesmo de seus aliados.

Tyrande defendia seu ponto de vista com grande paixão por justiça, mas ao ter que encarar um ponto positivo e verdadeiro da defesa, ficara visivelmente irritada, como se estivesse mais interessada por vingança do que por justiça.

Pelo livro não ter se aprofundado mais nos sentimentos de Tyrande não dá para saber qual é exatamente sua visão de justiça ou se o que ela realmente queria era vingança, chegando a um veredito que não sei dizer se foi singelo ou sensacionalista.

Enquanto Baine se saiu como um personagem extremamente justo e bom, Tyrande saiu como uma incógnita, onde não sei dizer se ela foi justa a sua maneira ou se estava motivada pelo desejo de vingança.

Crítica do Livro Crimes de Guerra: Conclusão

No geral é um bom livro e recomendo também para quem está começando a buscar a lore do WoW.

O livro conta com vários ocorridos do passado, antes mesmo de Garrosh ser o chefe guerreiro e pode elucidar muitas coisas.

Seu entendimento é fácil e para quem prestou atenção nas missões e campanhas de Pandária, é muito tranquilo se situar no livro.

A forma da escrita é bem fluída, mas em alguns pontos é bem pouco descritiva.

O julgamento em questão prende bem pela história e fluidez, mas é ligeiramente massivo seguindo os métodos de julgamento que temos no nosso mundo, ao melhor estilo Law & Order.

Os antagonistas foram bem carismáticos e não tenho do que reclamar deles.

É praticamente impossível falar deles sem dar grandes spoilers, então optei por não fazer comentários sobre eles para não estragar a surpresa.

O final foi meio corrido e atropelado, mas emocionante a sua maneira e é onde toda ação acontece.

Vale a pena conferir.

E vocês que já leram esse livro, espero que tenham gostado da minha crítica do livro Crimes de Guerra 🙂

Se você curtiu não deixe de ler a minha outra crítica ao livro do Illidan.

  • Vagner Amorim

    Gostei muito do livro em si, é legal poder ver os personagens que você está acostumado a ver dentro do jogo, atuando e se desenvolvendo através de diálogos, por isso acho que a obra no geral serve muito bem para esse aumento de conteúdo em relação ao pouco que vemos dentro do jogo.

    O livro me deixou com um gosto agridoce no final, e vou dizer por que, a partir daqui, incluirei spoilers, então quem não leu e pretende ainda fazê-lo pode se reservar caso queira.

    O livro me passou a impressão de que a autora, embora tenha tido liberdade para desenvolver cada personagem, cujo este, ela tecnicamente já o pegou pronto, considerando que cada nome citado ali foi de um npc que conhecemos dentro do jogo, e a partir daí passou a escrever sobre ele dentro de um roteiro e desfecho específicos.

    E aí onde mora a questão que falei do gosto amargo ao terminar de ler algumas passagens…
    Foi adorável ver Sylvanas e Vereesa dialogando e se aproximando novamente, o início da obra passa essa questão da distância entre as duas desde que Sylvanas se tornou a Rainha Banshee dos Renegados, e ver as duas juntas novamente foi muito climático tendo em vista que tenho a raça dos elfos como minha favorita na obra do Wacraft como um todo.

    O que me doeu um pouco foi que, a autora conseguiu criar uma aliança entre as duas, e toda uma ideia de que podia dar certo, claro que analisando as consequências, já se pode prever que irá dar errado, tendo em vista que o plano era muito severo, e iria contra a lore que conhecemos do desfecho de Garrosh.

    No final, vemos as duas quase que forçadamente romperem seu acordo mediante a recuada de Vereesa, ao alertar Alduin de que havia envenenado a comida de Garrosh.

    No fim das contas, tanto essas duas personagens, como todos os personagens citados no livro como um todo, não evoluíram e nem mudaram suas atitudes como “pessoa”, cada um se manteve sendo o que é e o que já conhecemos dentro do jogo, como se isso tivesse de certa forma adequado a uma limitação de que não haveria tanta licença poética por parte da Blizzard para permitir a autora a terminar o desfecho de algum personagem dentro de uma nuance mais ousada, permitindo assim que o mesmo saísse do final da história, melhor ou pior do que começou nela.

    Deixo uma exceção do meu comentário apenas para Jaina e Kalecgos, que conseguiram reestabelecer sua relação, principalmente de Jaina que com sua força de vontade conseguiu superar o descontrole devido a raiva e desejo de ver Garrosh morto pelos crimes a Theramore.

    De qualquer forma, foi apenas uma impressão, ainda assim, como disse, gostei muito de ter lido, e agora estou partindo para o do Illidan, ambas leituras muito inspiradas pelo Review que li aqui no site de vocês, então agradeço vocês muito por isso 