Canônico e Não-Canônico no World of Warcraft

Você sabe o significado de Canônico e Não-Canônico no World of Warcraft?

Não tem idéia do que seja canônico e não-canônico?

Para você compreender isso, eu vou precisar contextualizar o assunto.

Para quem gosta de Role Play no World of Warcraft o lore ser canônico e não-canônico é muito importante.

Desperta discussões e paixões, principalmente se você for de uma linha mais rígida com relação à coerência do RP.

A Diferença entre Lore e História

Mas o que é o Lore?

Lore é uma palavra de origem inglesa que quer dizer conhecimento. Normalmente vem associada, neste contexto, à Folk, que quer dizer povo, formando, portanto o nosso folclore ou conhecimento popular.

Muitos tendem a pensar que o termo conhecimento popular se refere à lendas ou histórias fantasiosas, mas é de fato o conjunto das tradições de um povo, normalmente transmitido de forma oral, sendo resguardado pela transmissão de geração a geração.

Lore e História são a Mesma Coisa?

Bem, isto depende muito do uso e do contexto das palavras.

Estória, História, Story, History

Quando pensamos em história como narrativa sobre o passado, podemos perfeitamente equiparar lore à história, mesmo admitindo que ao nos referirmos a história, normalmente pensamos em algo que seja fidedigno, que realmente tenha acontecido, seja verdade ou algo que tenha comprovação factual.

Na língua inglesa, existem duas palavras para marcar de forma mais firme uma distinção entre história “real” e uma narrativa fictícia. History seria a história “real”, oficial e verdadeira, normalmente associada ao campo do saber histórico, enquanto story seriam histórias narradas, mesmo reais e contos de ficção.

Até início do Séc XIX no Brasil, a palavra história não havia sido consolidada no português falado aqui, sendo grafada em alguns casos como estória. Em 1919, o acadêmico da Academia Brasileira de Letras, João Ribeiro propôs o uso da palavra “estória” com o mesmo uso da palavra story inglesa e designaria contos e narrativas de ficção e fantásticas. Este termo não teve muita aceitação em seu uso, figurando apenas em alguns dicionários até hoje e nunca aceito como norma culta, apenas como uso informal.

Portanto, no Brasil, a norma culta e o uso generalizado é apenas para a palavra história para ambos os casos. Neste contexto, história e lore seriam sinônimos.

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Lore e História

Se pensarmos em história como História, campo do saber que estudo o homem no tempo, tempos que conhecer um pouco de como este campo foi constituído para compará-lo ao termo lore.

O termo História originou-se das “investigações” que eram feitas por alguns escritores gregos, como Heródoto, considerado o “pai da História”. Neste contexto, a maioria dos historiadores mais se assemelhavam à cronistas ou jornalistas, contando fatos que eles mesmo presenciavam, muitas vezes com uma dose dos mitos da época (DOSSE, 2003).

Os historiadores romanos seguiam esta mesma linha, mas já davam mais ênfase à pesquisas documentais e narrativas do passado, mas a grande maioria eram sobre as grandes famílias e figuras, como o excelente vidas paralelas de Plutarco.

Na idade média surgiram muitos historiadores e excelentes trabalhos, ainda ligados à genealogia de famílias e personagens importantes e a grande maioria destes escritores, principalmente os europeus eram membros do clero ou, de alguma forma ligados à ele. Foi apenas durante o Iluminismo que a História começa a se constituir como campo único e erudito, ligado à um ramo de saber e abriu as portas para que, no Séc. XIX se transformasse em ciência (CARDOSO e VAINFAS, 1997).

As Histórias

A Historia-Ciência do Sec. XIX foi uma forte constituinte do que chamamos de campo Histórico hoje e é fortemente influenciada pelo cientificismo da época. Baseava-se pressupostos de verdade, fatos e documentação oficial para construir seu objeto de estudo.

A História Marxista, a moderna e a pós-moderna, tem esta herança da escola científica, contudo questionam a documentação oficial, como única fonte e refutam a ideia de verdade histórica, admitindo que ela é inatingível, buscando agora uma verossimilhança, ou seja, a versão mais coerente do que teria acontecido.

Dentro deste último conceito, a História admite o uso de narrativas, fontes apócrifas, não oficiais e até o estudo de lendas e mitos como parte constituinte de uma pesquisa a cerca de um determinado objeto histórico.

Neste contexto, o lore pode ser parte da História, utilizado em conjunto com fatos, pesquisa de campo, objetos e outras evidências.

Lore Canônico e Não-Canônico

Uma narrativa canônica é aquela aceita por um determinado grupo como a que deve ser confiável como fonte de conhecimento acerca de um determinado assunto.

Quando se fala de conhecimentos dogmáticos divinos da religião católica, por exemplo, existem livros que compuseram a Bíblia Sagrada que eles consideraram, através dos tempos e por ações de homens como Jerônimo, por exemplo, como verdadeiros e inspirados, enquanto outros, com datação e narrativa similar foram considerados apócrifos.

Portanto, ao citar algo que seja aceito como relevante para a Igreja Cristã Católica, deve-se utilizar os livros considerados canônicos.

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Existem Informações Canônico e Não-Canônico no Warcraft?

Não há um consenso sobre isto, nota-se inclusive que a Blizzard evita utilizar este termo, pois pode ser uma espécie de trava criativa futura pensar nestes termos. O que já foi dito é que tudo que é fruto dos jogos, tanto material dentro ou fora do jogo é considerado canônico e não-canônico tudo ao mesmo tempo. Isto incluiria livros, revistas, músicas, imagens, animações, textos de missões, livros dentro do jogo e outras mídias como fontes. A única exceção (de leve) que é feita é com relação ao material de RPG de mesa.

Há um questionamento, por exemplo, sobre considerar os quadrinhos feitos pela DC Comics como canônico, o que foi esclarecido por Chris Metzen ao dizer explicitamente que eles também eram “canônicos”.

Como o RP se Encaixa Nisto?

Bem, quando você está jogando RP em qualquer contexto, é importante que sua história e personagens sejam coerentes àquele mundo. Tanto pela história e mecânica como pela interação.

Você pode falar que é um humano e esteve presente no mundo de Azeroth desde os eventos que levaram à Alvorada dos Aspectos. Isto não seria muito coerente, dada à longevidade dos humanos, que normalmente não vivem milênios, nem ao fato de não haverem registros ou indícios da existência de humanos naqueles tempos. Certamente, se seu personagem esteve lá, ele seria, com certeza uma celebridade e estaria em vários registros.

Conhecer a história de cada povo, os acontecimentos e suas relações, pode ajudar a fazer um personagem mais coerente e que acaba ficando mais divertido de se interagir no mundo onde se está interpretando.

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Posso “Inventar” meus Próprios Fatos num RP?

Lembre-se que, antes de tudo o RP é um jogo e que tem, entre outros objetivos divertir. Tudo é válido se gera diversão para você e quem interage com você.

Você pode, por exemplo, inventar um personagem como um humano que teria servido na guarda pessoal do Garrosh, mas tem que contar uma história muito convincente para encaixá-lo lá, como por exemplo ser um agente secreto, ladino que sempre agiu oculto, ninguém nunca o viu ou não existem registros dele. Agora, se ele for muito forte e habilidoso, pode ainda gerar uma falta de diversão para quem interage com ele, tamanho o desbalanceamento que ele irá provocar.

Meu conselho é jogar dentro de uma coerência, mas sem perder a criatividade que a enorme Lore do WoW nos propicia.

Contudo, não deixe de imaginar coisas que poderiam ou podem ter acontecido nas “brechas” dos registros e fatos do jogo. A curiosidade e a investigação de linhas alternativas das versões da história é que fazem bons historiadores e bons personagens de RP.

O que acharam do texto, conseguiram entender as diferenças entre canônico e não-canônico?